terça-feira, 10 de julho de 2012

PARA OS ALUNOS DO 3º ANO/NOITE APELES

Aqui vai o conceito de crase para os que não tem. Postarei o exercício mais tarde. Atenção! Vale nota.



CRASE

Crase é a fusão de duas vogais idênticas. Representa-se graficamente a crase pelo acento grave.
Fomos à piscina
à 
artigo e preposição
Ocorrerá a crase sempre que houver um termo que exija a preposição a e outro termo que aceite o artigo a.
 Para termos certeza de que o "a" aparece repetido, basta utilizarmos alguns artifícios:
I. Substituir a palavra feminina por uma masculina correspondente. Se aparecer ao ou aos diante de palavras masculinas, é porque ocorre a crase.
Exemplos:
Temos amor à arte.
(Temos amor ao estudo)
Respondi às perguntas.
(Respondi aos questionário)
II. Substituir o "a" por para ou para a. Se aparecer para a, ocorre a crase:
Exemplos:
Contarei uma estória a você.
(Contarei uma estória para você.)
Fui à Holanda
(Fui para a Holanda)
3. Substituir o verbo "ir" pelo verbo pelo verbo "voltar". Se aparecer a expressão voltar da,é porque ocorre a crase.
Exemplos:
Iremos a Curitiba.
(Voltaremos de Curitiba)
Iremos à Bahia
(Voltaremos da Bahia)
Não ocorre a Crase
a) antes de verbo
Voltamos a contemplar a lua.
b) antes de palavras masculinas
Gosto muito de andar a pé.
Passeamos a cavalo.

c) antes de pronomes de tratamento, exceção feita a senhora, senhorita e dona:
Dirigiu-se a V.Sa. com aspereza
Dirigiu-se à Sra. com aspereza.

d) antes de pronomes em geral:
Não vou a qualquer parte.
Fiz alusão a esta aluna.

e) em expressões formadas por palavras repetidas:
Estamos frente a frente
Estamos cara a cara.

f) quando o "a" vem antes de uma palavra no plural:
Não falo a pessoas estranhas.
Restrição ao crédito causa o temor a empresários.

Crase facultativa
1. Antes de nome próprio feminino:
Refiro-me à (a) Julinana.
2. Antes de pronome possessivo feminino:
Dirija-se à (a) sua fazenda.
3. Depois da preposição até:
Dirija-se até à (a) porta.
Casos particulares
1. Casa
Quando a palavra casa é empregada no sentido de lar e não vem determinada por nenhum adjunto adnominal, não ocorre a crase.
Exemplos:
Regressaram a casa para almoçar
Regressaram à casa de seus pais

2. Terra
Quando a palavra terra for utilizada para designar chão firme, não ocorre crase.
Exemplos:
Regressaram a terra depois de muitos dias.
Regressaram à terra natal.

3. Pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aqueles, aqueles, aquilo.
Se o tempo que antecede um desse pronomes demonstrativos reger a preposição a, vai ocorrer a crase.
Exemplos:
Está é a nação que me refiro.
(Este é o país a que me refiro.)
Esta é a nação à qual me refiro.
(Este é o país ao qual me refiro.)
Estas são as finalidades às quais se destina o projeto.
(Estes são os objetivos aos quais se destino o projeto.)
Houve um sugestão anterior à que você deu.
(Houve um palpite anterior ao que você me deu.)

Ocorre também a crase
a) Na indicação do número de horas:
Chegamos às nove horas.
b) Na expressão à moda de, mesmo que a palavra moda venha oculta:
Usam sapatos à (moda de) Luís XV.
c) Nas expressões adverbiais femininas, exceto às de instrumento:
Chegou à tarde (tempo).
Falou à vontade (modo).

d) Nas locuções conjuntivas e prepositivas; à medida que, à força de...
OBSERVAÇÕES: Lembre-se que:
Há - indica tempo passado.
Moramos aqui  seis anos
A - indica tempo futuro e distância.
Daqui a dois meses, irei à fazenda.
Moro a três quarteirões da escola.

sábado, 7 de julho de 2012

PÍLULAS DIÁRIAS DE LITERATURA

SouSou o que sabe não ser menos vão 
Que o vão observador que frente ao mudo 
Vidro do espelho segue o mais agudo 
Reflexo ou o corpo do irmão. 
Sou, tácitos amigos, o que sabe 
Que a única vingança ou o perdão 
É o esquecimento. Um deus quis dar então 
Ao ódio humano essa curiosa chave. 
Sou o que, apesar de tão ilustres modos 
De errar, não decifrou o labirinto 
Singular e plural, árduo e distinto, 
Do tempo, que é de um só e é de todos. 
Sou o que é ninguém, o que não foi a espada 
Na guerra. Um esquecimento, um eco, um nada. 

Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"

quarta-feira, 4 de julho de 2012

PÍLULAS DIÁRIAS DE LITERATURA

"Leite, leitura
letras, literatura,
tudo o que passa,
tudo o que dura
tudo o que duramente passa
tudo o que passageiramente dura
tudo,tudo,tudo
não passa de caricatura
de você, minha amargura
de ver que viver não tem cura".
          
                  Paulo Leminski

terça-feira, 3 de julho de 2012

PÍLULAS DIÁRIAS DE LITERATURA

"Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem. Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém. Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também. Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem. Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem. Tô feliz, tô despreocupado, com a vida eu tô de bem."
                                                                       Caio Fernando Abreu"

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Alunos do 3º ano Noturno Escola Apeles.

Façam uma PRODUÇÃO TEXTUAL onde se candidatam a uma vaga de emprego numa conceituada empresa. Realizem a tarefa e me entreguem na próxima aula. A tarefa é muito importante para vocês que estão entrando no mercado de trabalho, onde só os mais qualificados tem sucesso.Ah! Um pequeno detalhe. Vale nota. 
Abraços

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Tarefa 1º ano Politécnico Noite


ESCOLA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO BÁSICA APELES PORTO ALEGRE


NOME.......................................................................TURMA................


A BAILARINA E O VASO CHINÊS

      Ele era um vaso chinês.Dizem que tinha gerações de história e por isso o reverenciavam. E a reverência dava-lhe um pedestal de orgulho, de forma que guardava em si mesmo suas palavras, pois fazia conta de que fossem de grande valor.
     Era um vaso chinês, mas era vazio. Não o enchiam com água para depositar nele rosas e outras coisas efêmeras.
     Certo dia, ele conheceu a bailarina da caixa de música e encantou-se pelos seus movimentos graciosos. Mas ela não fez caso daquele amor.
     __ Ah! Não posso amar-te. Veja como sou livre e posso dançar? Somos tão diferentes. Não sei que seria de mim se me fosse reservado um pedestal, como esse em que te prendes.
     Invejo-te, eu confesso. Depositaria em tuas mãos todo o meu passado, para que tu o atirasses para o alto como pó inútil, como se isso me tornasse alguém digno de ti, se isso fosse mágica que me transformasse num par com leveza e graça para acompanhar-te numa música eterna.
     E o vaso chinês continuava cada vez mais vazio. As palavras que guardara como se fossem tesouro escapavam dele, mas sequer conseguiam chegar ao coração se sua amada, desvanecendo-se na distância entre o pedestal e a estante onde ela morava.
     Certa noite, o vaso acordou de seu sono de porcelana. Pensara ter ouvido  a doce melodia da caixinha de música. Logo percebeu que ela estava fechada em seu lugar e que a música era apenas o eco da paixão que, daquele dia em diante, passou a atormentar suas madrugadas.
      Um dia, o destino, que tem mãos descuidadas de crianças, excedeu-se ao dar corda à caixinha, de modo que a mola da engrenagem quebrou.
      Lamentou-se a bailarina de seu triste fado. A pista de espelho tornou-se um pedestal de gelo, que refletia sua imagem inerte e triste.De longe, também o vaso chinês se condoia com o desamparo de sua amada.
      __  Ah, minha pobre bailarina. Lamentava-me de não ser livre como tu eras, mas hoje vejo-te presa a uma inocente criança. E eu, que me imaginava o mais inerte dos seres, sou de fato mais livre, pelo amor que sinto e que dá sentido à minha vida!
      __ Creio na sinceridade desse amor. Mas que posso eu fazer para corresponder-te? Tu me amavas pelo que eu era, mas que sou agora?
      __Amo-te com a mesma intensidade.
      __ Como podes contentar-te com tão pouco? Apenas olhar-me?
      __Se tudo que posso é olhar-te, então o que mais desejo. Mas tenho em mim guardada a fonte de tua felicidade e sei, como sei que te amo, que um dia depositarei em tuas mãos não o meu passado mas, aquele tempo que nos foi reservado e que virá.
      __ Chegou o dia em que as mãos infantis tentaram novamente acionar a caixinha de música.  Irritada com o mecanismo que não mais funcionava, agarraram a pequena bailarina e a atiraram a esmo.E ela foi cair justamente dentro do vaso chinês. Onde um baile acontece todas as madrugadas e dois corações agora dançam.
                                                                                             Marco Túlio Costa

Procure no dicionário o significado das palavras abaixo:

Reverenciar-


Pedestal-



Efêmera-



Desvanecer-



Fado-



Inerte-



Condoer-



Esmo-







Interpretação do texto

1-     Quais são os personagens do texto?





2-     Como era a vida da bailarina antes do triste episódio de perder a liberdade?




3-     O que você achou da atitude do vaso chinês diante do acontecido?




4-     Na sua opinião, que lição de moral a bailarina teve depois do que aconteceu com ela?

atenção alunos do 1º ano Politécnico Noturno a interpretação abaixo vale nota!


O VILARES
Havia, no colégio, três companheiros desagradáveis. Um deles era o Vilares. Menino forte, cara bexigosa, com um modo especial de carregar e de franzir as sobrancelhas autoritariamente.
Parecia ter nascido para senhor do mundo.
No recreio queria dirigir as brincadeiras e mandar em todos nós. Se a sua vontade não predominava, acabava brigando e desmanchava o brinquedo.
Simplesmente insuportável. Ninguém, a não ser ele, sabia nada; sem ele talvez não existisse o mundo.
Vivia censurando os companheiros, metendo-se onde não era chamado, implicando com um e com outro, mandando sempre. (…)
Não tinha um amigo. A meninada do curso primário movia-lhe a guerra surda. E, um dia, os mais taludos se revoltaram e deram-lhe uma sova.
Foi um escândalo no colégio. O vigilante levou-os ao gabinete do diretor. O velho Lobato repreendeu-os fortemente. Mais tarde, porém, chamou o Vilares e o repreendeu também.
Eu estava no gabinete e ouvi tudo.
- É necessário mudar esse feitio, menino. Você, entre os seus colegas, é uma espécie de galo de terreiro. Quer sempre impor a sua vontade, quer mandar em toda a gente. Isso é antipático. Isso é feio. Isso é mau. Caminha-se mais facilmente numa estrada lisa do que numa estrada cheia de pedras e buracos. Você, com essa maneira autoritária, está cavando buracos e amontoando pedras na estrada de sua vida.
E, continuando:
- Você gosta de mandar. Mas é preciso lembrar-se de que ninguém gosta de ser mandado. Desde que o mundo é mundo, a humanidade luta para ser livre. O sentimento de liberdade nasce com o homem e do homem não sai nunca. É um sentimento tão natural, que os próprios irracionais o possuem. E louco será, meu filho, quem tiver a pretensão de modificar sentimentos dessa ordem. Ou você muda de feitio, ou você muito terá que sofrer na vida.
(VIRIATO CORREA. Cazuza. São Paulo, Editora Nacional)





Após a leitura do texto responda às questões:
1. Assinale a alternativa que combina com o texto.
a. (   ) O texto é sério, porque relata um acontecimento desagradável.
b. (   ) É formativo porque, através do diretor do colégio, mostra como se deve corrigir um comportamento reprovável.
c. (   ) É um texto cômico, engraçado.
2. Quais são as personagens do texto?
3. Assinale a alternativa correta:
a. (   ) O narrador não é personagem do texto.
b. (   ) O narrador é personagem do texto, porque ele se inclui entre as pessoas que participam da história.
c. (   ) Não existe narrador nesta história.
4. Quem é o protagonista, isto é, o personagem principal da história?
5. O autor descreve o Vilares informando algumas características dele. Transcreva a parte do texto em que o narrador descreve os aspectos físicos do Vilares.
6. Identifique, de acordo com o texto, entre as características psicológicas dadas abaixo, as que se encaixam no personagem Vilares.
Humilde – briguento – metido – tolerante – sabichão – insuportável – cordial – bondoso – autoritário – implicante – simpático – antipático – desagradável – egoísta – quieto
7. No texto, o diretor usou três frases para caracterizar o autoritarismo do Vilares. Assinale-as:
a. (   ) “… é uma espécie de galo de terreiro.”
b. (   ) “Caminha-se mais facilmente numa estrada lisa”.
c. (   ) “Quer sempre impor a sua vontade.”
d. (   ) “… quer mandar em toda a gente.”
e. (   ) “… ninguém gosta de ser mandado.”
8. Que outro título você daria ao texto?
9. Assinale as alternativas que resumem as mensagens do texto:
a. (   ) A convivência com uma pessoa autoritária é desagradável.
b. (   ) A meninada da escola costuma mover guerra surda.
c. (   ) Os diretores são autoritários em suas repreensões.
d. (   ) As pessoas têm um forte sentimento de liberdade e geralmente não aceitam as imposições das pessoas autoritárias e mandonas.


RETORNO

Alunos, estou reativando o blog para vocês. Sei que ás vezes é difícil ir para a escola na parte da noite. Como a maioria trabalha colocarei aqui as nossas tarefas para facilitar a vida de vocês. Sejam bemvindos ao mundo da LÍNGUA PORTUGUESA.

terça-feira, 9 de março de 2010

QUANDO FOR A SÃO PAULO NÃO ESQUEÇA DE VISITAR

AQUI CABE A PERGUNTA: O QUE FAZER?

Por Isabel Crippa
Percebo na escola onde trabalho, alunos totalmente desmotivados para o aprendizado, resistentes a toda a forma de limite. Parecem que vivem num mundo a parte, isentos de toda e qualquer regra que não sejam as deles mesmos. A televisão e o Orkut exercem total influência sobre suas vidas.
A disciplina de Língua Portuguesa, por ser a língua mãe, exige muito comprometimento do aluno, pois o mesmo para ler e compreender um texto precisa de ambiente calmo, relativamente silencioso, coisa que não temos em nossas salas de aula.
Crianças das mais diferentes classes sociais, com históricos familiares dos mais diversos, são colocadas nas salas de aula para "aprender", aprender o quê?
Crianças que não são especiais, mas que tem a saúde mental abalada por históricos familiares dos mais diversos, desde o abuso sexual a negligência propriamente dita.
Pais que não estão e nunca estarão preparados para terem filhos, fazem isso em demasia, os criam sem a menor noção de valores, e depois os mandam para a escola, achando que ela fará o milagre de incutir valores que são de seu compromisso, visto que a família é a célula primeira da sociedade.
Aqui cabe a pergunta: o que fazer? Gostaria de ter uma resposta.

PELO DIREITO DE JOGAR A CABEÇA CONTRA O VIDRO

Recentemente, e por conta de uma entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, voltou à pauta a questão das drogas, especialmente a legalização da maconha. O ex-presidente defendeu a legalização da maconha com um argumento muito simples e verdadeiro: a guerra às drogas não trouxe o efeito esperado, não diminuiu o consumo e jogou milhões, quiçá bilhões, de dólares fora. Para FHC, se trata de legalizar o consumo e focar os recursos na repressão ao narcotráfico enquanto olha para o usuário como um problema de saúde pública.

Como um pouco de história não faz mal a ninguém, é fato inegável que a humanidade sempre consumiu substâncias psicoativas desde os tempos mais remotos, seja para finalidade lúdica ou ritualística. De uma maneira ou de outra, as drogas sempre fizeram parte do nosso cotidiano, da nossa vida.

Até bem pouco tempo atrás (falo na escala da espécie humana), até o começo do século 20, existiam casas de consumo de drogas, especialmente de ópio, pela Europa. Frequentá-las era como ir a um bar tomar um chopp no fim do expediente. Mas as drogas, pouco a pouco, foram postas na ilegalidade e seus consumidores, enquadrados no código penal, um legado dos “moral majority” estadunidenses.

Maconha era droga de “mexicano vagabundo”; a “malvada” cocaína destruía o superego e transformava o médico num monstro; o álcool atacava as fundações da célula-mater da sociedade, a família. Nunca é demais lembrar que o ápice dessa cruzada foi com a “lei seca” nos Estados Unidos. De repente, tomar um dose de whiskey era crime!

Claro que o consumo dessas substâncias continuou, e continua, a despeito da cruzada. O que mudou foi a forma: se antes um inglês ia a um local público fumar ópio, a substância tem agora de ser obtida no mercado negro, nas sombras, e apenas na escuridão é possível consumir. Esta mudança, claro, trouxe consigo novas figuras, aqueles que conseguiam abastecer o consumidor, ávido por gatilhos que disparassem suas sinapses.

Estava criada a figura do traficante e do tráfico internacional de drogas. De um lado o consumidor; de outro, o traficante. Entre eles, o Estado e sua polícia. A equação estava fadada ao fracasso, mas isso é tema para uma próxima coluna.

Por que descriminalizar? E por que a maconha?
O senso comum, a obviedade: porque a maconha não faz mais mal que o cigarro ou o álcool e como estas últimas são drogas lícitas, não há motivos pra não descriminalizá-la. O problema é que o mesmo argumento pode ser usado para proibir, banir, a cerveja e o tabaco (este caminha rapidamente para a prescrição). Se o cigarro faz tão mal ou mais que a maconha, por que não proibi-lo também?

Descriminalizar significa deixar de ser crime; incluir no ordenamento jurídico alguma ação, para então permiti-la. No momento que agimos assim, tacitamente aceitamos o fato de que qualquer assunto pode ser passível de regulamentação, de legislação, para a aceitação ou para a proibição.

Ora, o que perdemos no século 20 foi justamente a linha que separava aquilo que era passível ser legislado (permitido/proibido) do que simplesmente não cabia nesta lógica. Não achamos justo que nos digam como (ou com quem) devemos dormir, assim como não posso achar justo que me digam se posso ou não jogar minha cabeça contra um vidro.

Liberar, ao contrário, é assumir que existem espaços, esferas, que nenhum juiz ou deputado pode julgar por meio da lei, que só e somente só ao autor cabe a decisão de fazer ou não.

Em síntese: é defender o direito inalienável de que em determinadas matérias o poder supremo é do indivíduo e sobre elas não podem haver normas, regras, poderes que nos permitam ou nos obriguem. Esta atitude se refere às drogas, todas elas, à eutanásia, ao aborto, a dirigir sem cinto de segurança, sem capacete…

Não à descriminalização da maconha! Não à descriminalização das drogas! Que elas, todas elas, simplesmente não sejam passíveis de entrar no circuito de leis. Que pura e simplesmete as leis sequer possam tocar no assunto! Liberar sim, legalizar não.

Parafraseando Thiago de Mello:

“Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários

A partir deste instante
a
liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio”


domingo, 26 de abril de 2009

POESIA - MARIO QUINTANA

“Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu…
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.”

POESIAS - MARIO QUINTANA

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

POESIAS - FERNANDO PESSOA

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.

Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.

POESIAS - PAULO LEMINSKI

"Leite, leitura
letras, literatura,
tudo o que passa,
tudo o que dura
tudo o que duramente passa
tudo o que passageiramente dura
tudo,tudo,tudo
não passa de caricatura
de você, minha amargura
de ver que viver não tem cura."

sexta-feira, 20 de março de 2009

INDISCIPLINA EM SALA DE AULA: COMO RESOLVER?


Honestidade e segurança são palavras-chave para o bom convívio na sala de aula!


O sino do “bendito” intervalo soou mais uma vez aos ouvidos dos alunos e professores. Se reproduzissem o som dos pensamentos de todos, seria um grito aliviador: finalmente! Os estudantes vão para o pátio e os professores para a sala reservada, onde tudo começa! As reclamações sobre indisciplina não são mais comuns, são rotineiras. Os educadores sentam e desabafam mutuamente: fazem observações desalentadoras sobre o aluno que fala o tempo todo, do que acha que a combinação mesa e cadeira é a própria cama, do que só faz palhaçada, do que ri o tempo inteiro, do que finge que está lendo, do que joga papel, do que esqueceu o livro de novo, dentre muitos outros estereótipos!

E o sino bate para a temida volta à sala! Mais uma vez, se fosse possível ouvir os pensamentos, poderíamos escutar coisas do tipo: Ah, não...., Já bateu o sino?, Ai, eu quero embora..., Agora é aquela aula chata..., Não aguento mais tanto barulho, Se não tem outro jeito...., Agora tenho que ir para aquela turma bagunçada, e outros mais.

É verdade... é muito ruim chegar em uma sala desorganizada, onde não há respeito!
E após várias experiências, nós, professores, temos que reavaliar nossa didática e a forma com que temos conduzido nosso cotidiano profissional. Afinal, pode chegar o dia em que o despertador irá tocar e ficaremos deitados por exaustão de pensar em mais um dia de trabalho em uma sala que só nos desgasta fisicamente e emocionalmente.

Como vencer isso? Não há uma fórmula, mas é muito provável que se a indisciplina na sala pretende ficar até o final do ano, medidas precisam ser tomadas pela direção, pela coordenação, mas principalmente, pelo professor, pois ele é a autoridade em sala de aula.

O primeiro passo é esse: nós mesmos reconhecermos que somos autoridades dentro de sala (porém, não vamos confundir autoridade com autoritarismo). Logo, temos que nos impor como tal, a fim de estabelecermos regras próprias para que haja bom convívio. Dessa forma, se fizer uma promessa para a turma, cumpra, pois isso passa segurança e confiança aos alunos. Se errar alguma nota ou em uma atitude, assuma e peça desculpas em público, o que demonstra honestidade, humildade e sabedoria, qualidades admiráveis. Seja amigável e informal, mas dentro de um limite em que o aluno ainda saiba que você é primeiramente professor dele e não amigo. Converse com os alunos abertamente e pergunte se está claro o que está sendo explicado. Se observar que os alunos estão desatentos ou que não entenderam, chame a atenção deles e explique de outra forma e note se surgiu efeito. É importante que o educador esteja pensando na sua didática e procure diversificar as aulas com o intuito de melhorar o rendimento da turma e deixar as aulas mais prazerosas e menos cansativas para ambos.

E mais um ponto fundamental: a turma segue os exemplos que nós damos, então, devemos medir cada ação tomada, a qual não pode ser bruta demais (Saia da sala!), nem temperamental ao extremo (Tudo bem, mas não faça mais isso!).

É importante que os alunos reconheçam aos poucos a forma como o educador conduz sua aula, ou seja, qual a metodologia de ensino imposta. Caso a turma não o faça, é sinal de que está na hora do professor pensar numa outra forma de lidar com determinada turma e a partir desse fato criar novos métodos de ensino, adotar um caderno de anotações, aplicar outros tipos de avaliações (inclusive de si mesmo), adotar uma diferente forma de passar o conteúdo, e assim por diante.

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola